Mistagogia

Mistagogia significa “ser introduzido no mistério”, ou seja, no plano salvífico de Deus de salvar o mundo em Cristo (cf. Ef 1,3-13), e isso acontece eficazmente pelos sacramentos. Na Igreja primitiva, os adultos eram iniciados pelos três sacramentos durante a vigília do Sábado Santo.
Assim, o Tempo Pascal passa a ser considerado o tempo adequado de os recém-batizados aprofundarem a experiência proporcionada pelos sacramentos. Podemos notar que as leituras da missa desse tempo facilitam a compreensão deles e do que é ser Igreja.
Daí surge a necessidade de rever o calendário da catequese para priorizar a celebração dos sacramentos na vigília e durante o Tempo Pascal.
Nos primeiros quatro séculos, somente se falava sobre os sacramentos após estes terem sido celebrados, pois, uma vez iluminados pela fé do Batismo, os neófitos (recém-iluminados) achavam-se habilitados a compreender melhor a experiência dos sacramentos.
Os sacramentos revelam a grandeza dos dons pelos quais os eleitos foram agraciados e abrem os horizontes de vida nova a que foram chamados a trilhar. De um lado, permanece a aliança de adesão e compromisso do fiel e, do outro, a fidelidade do Senhor que não falha.
Ao tomar a iniciação cristã como caminho, os três sacramentos deixam de ser pontos de chegada, para se tornarem encontros transformadores que impelem à vivência dos valores, sentimentos e atitudes de Jesus confrontados ao longo do discipulado.
A celebração dos símbolos e gestos na liturgia leva o catequizando a experimentar esses sinais não apenas como elementos deste mundo, mas, se olhados com fé, como realidades divinas.
Esse método requer uma adequada visão dos fundamentos da liturgia: sacerdócio comum, assembleia, espaço litúrgico, ministérios, participação, oração eucarística, celebração da Palavra…
Nos encontros catequéticos, sejam realizados pequenos exercícios com experiências, símbolos e celebrações para propiciar uma educação litúrgica que capacite o catequizando a interiorizar os principais gestos da liturgia. Pequenas celebrações com os símbolos litúrgicos e com a proclamação da Palavra colocam o fiel em contato direto com o mistério de fé celebrado.
Há que vencer a mentalidade marcadamente devocional e assumir uma catequese experiencial, celebrativa e orante, que dê importância aos símbolos e aos progressivos passos na fé, assumindo assim as características de um processo iniciático.

Fonte: https://paulinascursos.com/mistagogia

Oração do catequista

Senhor, tu me chamaste a ser catequista na tua igreja neste imenso brasil, na tua comunidade que também é minha.
Tu me confiaste a missão de anunciar tua palavra, de denunciar o pecado, de testemunhar, pela minha própria vida, os valores do evangelho.
Recuo diante de teu chamado. É pesada senhor, a minha própria vida, os valores do evangelho.
Caminharemos juntos, Senhor, tu, apoiando-me, iluminando-me; eu, colocando-me a tua disposição, à disposição da igreja, preparando-me e atualizando-me sempre mais para servir melhor ao teu povo.
Faze-me teu instrumento para que vinha o teu reino, reino de amor à paz, de fraternidade e justiça, reino, onde deus será tudo em todos.
Amém

Finados

A morte não é o fim

A morte encerra o “tempo de graça e de misericórdia” que Deus oferece a cada um para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último.
Não existe reencarnação; ensina a Igreja que : Quando tiver terminado “o único curso de nossa vida terrestre” (LG, 48), não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27).
Pela morte, a alma é separada do corpo, mas na ressurreição Deus restituirá a vida incorruptível ao nosso corpo transformado, unindo-o novamente à nossa alma (cf. Cat. §1016).
O que é “ressuscitar”?
Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que a sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida ao seu corpo glorificado. Deus na sua onipotência restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus (Cat. §997).
Todos os homens que morreram ressuscitarão. “Os que tiverem feito o bem sairão para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento.” (Jo 5, 29; cf. Dn 12,2).
Cristo ressuscitou com o seu próprio Corpo: “Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!” (Lc 24, 39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma nele “todos ressuscitarão com seu próprio corpo, que tem agora”. (IV Concílio do Latrão, (DS, 801); porém, este corpo será “transfigurado em corpo de glória” (Fl 3,21), em “corpo espiritual” (1Cor 15,44).)
Professor Felipe Aquino

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/o-que-a-igreja-ensina-sobre-a-morte/

O ministério da Catequese

Para bem realizarmos a missão da catequese é preciso organizar, planejar, programar, analisar, convocar recursos entre outras coisas. Mas nada disso funciona se não tivermos como horizonte onde a catequese se insere na missão da Igreja, ou seja, qual o seu objetivo dentro do objetivo maior da Igreja. 
A grande missão da Igreja é Evangelizar. Ela deve dar testemunho, pela palavra e pela ação, do grande amor de Deus que se revelou em Jesus Cristo para realizar a Salvação de todos. Salvação é vida, vida plena para a humanidade; é felicidade, paz e harmonia; é sentir-se amado por Deus; é conversão e perdão; é amor entre os seres humanos, filhos do mesmo Pai; é libertação de tudo que oprime o ser humano, antecipando assim a plenitude da Vida no eterno abraço de Deus. A salvação é o grande Projeto de Deus que Cristo veio concretizar.
A missão da Igreja não se limita aos seus próprios membros. A Igreja existe para o mundo, está a serviço do mundo e por isso deve ser fermento na história humana para que ela se desenvolva segundo o Projeto de Deus, que é o seu Reino. Mas para que isso aconteça ela precisa cuidar do crescimento e amadurecimento da fé dos seus próprios membros. 
É pela fé que os homens se tornam fiéis, membros da Igreja. A fé é uma adesão ao Deus que se revela em Jesus Cristo, adesão que implica a vivência do Evangelho e constante conversão. A fé é uma resposta livre e pessoal a Deus, mas esta resposta é apoiada e fortificada numa vivência comunitária. A fé cresce na medida em que caminhamos com a comunidade, que nos convida a uma constante conversão. 
Há ainda uma segunda dimensão da fé, que é muito cara à catequese. Ela é dom de Deus, que toma a iniciativa de uma relação pessoal e profunda com seus filhos. Deus se doa amorosa e gratuitamente. Ele deseja assim um encontro pessoal com cada filho que lhe responde com a fé. Neste sentido podemos dizer que a fé é uma resposta amorosa a Deus, que nos amou primeiro. 
A catequese é a educação da fé. Educação porque é processo permanente de amadurecimento da fé. Quem aderiu a Jesus Cristo, de fato, inicia um processo de conversão permanente, que dura toda a vida. Aquele que encontrou Cristo deseja conhecê-lo o mais possível. O amor por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre mais.  A catequese deve levar o catequizando a amar e querer conhecer sempre mais a Jesus Cristo.
A catequese educa para a vida comunitária. A vida cristã em comunidade não se improvisa e é preciso educar para ela, com cuidado. O crescimento interior da Igreja depende da Catequese, por isso ela deve ser prioritária numa comunidade. Pelo batismo somos membros da Igreja e corresponsáveis pela evangelização e pela catequese. A catequese é uma responsabilidade de toda a comunidade cristã. Não é somente responsabilidade dos catequistas, dos padres, mas de toda a comunidade de fiéis. A comunidade tem a missão de acompanhar o processo de educação da fé das crianças, dos jovens e adultos e deve acolher os catequizandos num ambiente fraterno, tanto aqueles que estão entrando na comunidade de fé através da Iniciação à Vida Cristã ou aqueles que buscam sempre aprofundar a fé através da catequese permanente. 
Os pais cristãos são os primeiros catequistas de seus próprios filhos e a Igreja confere oficialmente a determinados membros da comunidade, especialmente chamados, à delicada missão de transmitir a fé, no seio da comunidade. São os (as) catequistas! 
Na Igreja o Bispo é o primeiro responsável pela catequese, o catequista por excelência. Aquele que alimenta uma verdadeira paixão pela catequese, que trabalha para que haja catequistas preparados para a missão. Logo após o Bispo, os padres, também educadores da fé, são responsáveis principalmente pela formação e acompanhamento dos catequistas. 

Equipe Catequese Hoje

Fonte: http://www.catequesehoje.org.br/index.php/diverso/organizacao-da-catequese/1043-o-ministerio-da-catequese-na-igreja

Como nasceu a oração "Consagração à Nossa Senhora Aparecida"

Nas águas do rio que formam o vale, Maria se fez singela em uma pequena Imagem de terracota. Dos três pescadores que a encontraram, nasce o início da devoção que atravessa quase três séculos. Hoje, são inúmeros os filhos que oram aos pés de Aparecida, no Santuário Nacional, pedindo a intercessão junto ao Cristo.

A forma mais comum dessa demonstração de fé é a “Consagração a Nossa Senhora Aparecida”. Sempre que rezam, a partir dessa oração mariana, os devotos são tomados de grande comoção. As palavras da “Consagração”, quando pronunciadas, além de honrarem e reconhecerem Nossa Senhora como protetora nossa, são dirigidas ao coração de Jesus.

Quem primeiro decidiu realizar um momento de consagração a Nossa Senhora Aparecida foi o missionário redentorista padre Laurindo Rauber, diretor da Rádio Aparecida, em 1954. Entretanto, foi na voz do grande missionário redentorista Padre Vítor Coelho de Almeida que a “Consagração” tornou-se o programa da Rádio Aparecida mais ouvido. Por mais de 30 anos, o saudoso missionário do povo fez-se ouvir pelas ondas da rádio e, com seu timbre singular, proferiu, diariamente, a oração da “Consagração”. Até hoje no ar, o programa, exibido sempre às 15 horas, é o mais antigo e tradicional da Rádio.

Em 2013, a pedido do Papa Francisco, grande devoto de Nossa Senhora, foram incluídas três frases, na tradicional oração, para reforçar o eixo cristocêntrico de toda a devoção mariana. São elas: “Pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo”; “Vós que o Cristo Crucificado deu-nos por mãe” e “Celestial cooperadora”.

Fonte: do livro "Consagração à Nossa Senhora Aparecida" Ed. Santuário.

São Nicolau de Flue

Bruder Klaus nasceu no dia 21 de março de 1417, na Suíça. Oriundo de família pobre, ainda jovem queria ser monge ou eremita. Nesta época não pôde realizar o sonho porque tinha que ajudar os pais nos trabalhos do campo. Mais tarde também não o conseguiu, pois se casou. Felizmente a escolhida era uma moça muito virtuosa e religiosa, chamada Dorotéia, com a qual teve dez filhos. Vários deles se tornaram sacerdotes, e um dos netos, Conrado Scheuber, morreu com o conceito de santidade.


Ainda neste período Klaus não pôde se dedicar totalmente às orações e meditações como queria. Os escritos da época narram que, devido ao seu reconhecido senso de justiça, retidão de consciência e integridade moral, foi convocado a assumir vários cargos públicos, como, juiz, conselheiro e deputado.

Finalmente, aos cinqüenta anos de idade conseguiu a concordância da família e abandonou tudo. Adotou o nome de Nicolau e foi viver numa cabana que ele mesmo construiu, não muito longe de sua casa, mas num local ermo e totalmente abandonado. Tinha por travesseiro uma pedra e como cama uma tábua dura. Naquele local viveu por dezenove anos e há um fato desse período que impressionou no passado e impressiona até hoje. Há provas oficiais de que ele, durante todos esses anos, alimentou-se exclusivamente da Sagrada Comunhão. Entretanto, não conseguia se manter na solidão. Amável e receptivo, não fugia de quem o procurasse. E a pátria precisou dele várias vezes.

Pacificador e inimigo das batalhas, conhecido por seus atos e pela condição de eremita, foi chamado a mediar situações explosivas como a ameaça de guerra contra os austríacos e a eclosão iminente de uma guerra civil. Mas, quando não houve jeito de alcançar a paz no diálogo, ele também não fugiu de assumir seu lugar nos campos de batalha, como soldado e mesmo oficial. Entretanto, seu trabalho na reconciliação entre as partes envolvidas nestas questões de guerra repercutiu muito na população. Nicolau passou a ser venerado pelo povo, que logo o chamou de "Pai da Pátria".

Porém, à qualquer chance que tinha voltava para sua cabana, até ser solicitado novamente. Foi conselheiro espiritual e moral de muita gente, tanto pessoas simples como ocupantes de cargos elevados. Era muito respeitado por católicos e protestantes. Há quase um consenso em seu país de que a Suíça é hoje um país neutro e pacífico, que dificilmente se envolve em guerras ou conflitos internacionais, graças à influência do "Irmão Klaus", como era, e ainda é, carinhosamente chamado por todos os suíços.

Ele morreu no dia 21 de março de 1487, exatos setenta anos do seu nascimento. O corpo de Nicolau está sepultado na Igreja de Sachslen. Beatificado em 1669, foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947. A memória de São Nicolau de Flue é venerada pela Igreja, no dia 21 de março e como herói da pátria, no dia 25 de setembro. Ele é o Santo mais popular da Suíça.

Seu dia de veneração é dia 21 de março. É o santo padroeiro da Suiça.



"Meu Senhor e meu Deus,
arrancai de mim mesmo
tudo o que me impede de ir a Vós.

Meu Senhor e meu Deus,
dai-me tudo aquilo
que me conduz a Vós.

Meu Senhor e meu Deus,
tirai-me de mim mesmo
eentregai-me todo a Vós"
(São Nicolau de Flue)

Poema à Virgem Maria (Pe.Jose de Anchieta)

Poema à Virgem Maria
Escrito pelo Pe. Jose de Anchieta(São José de Anchieta)
nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba-SP


Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?
Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?
Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,
Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,
Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?
Em qualquer parte que olha, vê JESUS,
Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,
Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.
Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,
Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.

Olha, diante de Anás, como um cruel soldado
O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.
Vê como diante Caifás, em humildes meneios,
Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.

Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso
Que arranca Tua barba com golpes violento.
Olha com que chicote o carrasco sombrio
Dilacera do SENHOR a meiga carne a frio.

Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,
E o sangue corre pela Face pura e bela.
Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido
Mal susterá ao ombro o desumano peso?

Vê como os carrascos pregaram no lenho
As inocentes mãos atravessadas por cravos.
Olha como na Cruz o algoz cruel prega
Os inocentes pés o cravo atravessa.

Eis o SENHOR, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,
Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime! (Pecado Original cometido pelos primeiros pais e os subsequentes pecados da humanidade)
Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto
Donde corre mistura de sangue e água.

Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama
Para si, as chagas que vê suportar o FILHO que ama.
Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,
Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.

Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus
Procura o Coração da MÃE DE DEUS.
Um e outro deixaram sinais bem marcados
Do caminho claro e certo feito para todos nós.

ELE aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,
Ela o solo regou com lágrimas tremendas.
A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,
Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.

Mas se tanta dor não admite consolação
É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,
Ao menos chorarás lastimando a injúria,
Injúria, que causou a morte violenta.

Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?
Que região te guardou a prantear tal morte?
Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?
Onde está a terra podre dos ossos humanos?

Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,
Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?

Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,
No lugar da alegria, segura uma dor cruel,
Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,
Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.

Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre
Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,
E prefere a magia do nascer à força da morte,
Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.

Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,
Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!
O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,
Que pesou incomodo em Teu doce seio.

Morreu JESUS traspassado com terríveis chagas
ELE, formoso espírito, glória e luz do mundo;
Quanta chaga sofreu e tantas LHE causaram dores;
Efetivamente, uma vida em vós era duas! (Natureza Humana e Natureza Divina do SENHOR)

Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais
Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,
Feito em pedaços pela morte cruel que suportou
Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.

O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,
A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.
Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,
Tudo que é amargo e cruel o Teu FILHO suportou na Cruz.

Morto DEUS, então porque vives Tu a Tua vida?
Porque não foste arrastada em morte parecida?
E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,
Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?

Admito, não pode tantas dores em Tua vida
Suportar, aguentando se não com um amor imenso;
Se não Te alentar a força do nascimento Divino
Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.

Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,
Já te assalta no mar onda maior e cruel.
Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:
Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,
Rasga o sagrado peito ao teu FILHO já morto,
Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.

Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,
Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!
Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!
Tão penoso sofrimento este castigo guardava!

Com O querido FILHO pregado a Cruz Tu querias
Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.
ELE tomou para SI a dura Cruz e os cravos,
E deu-Te a lança para guardar no Coração.

Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,
A dor mudou para o fundo do Teu Coração.
Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,
Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.

Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,
Que imensamente nos faz amar o Amor!
Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,
Que intumesce com água fartamente a terra!

Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,
Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!
Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!
Jóia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!

Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,
E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!
Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,
Feres os piedosos peitos com divinal amor!

Ó doce chaga, que repara os corações feridos,
Abrindo larga estrada para o Coração de CRISTO.
Prova do novo amor que nos conduz a união! (Amai uns aos outros como EU vos amo)
Porto do mar que protege o barco de afundar!

Em TI todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:
TU, SENHOR, és medicina presente a todo mal!
Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:
A dor da tristeza coloca um fardo no coração!

Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,
Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!
Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,
Jorrando água para a vida eterna!

Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,
Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.
Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,
Para que possa viver no Coração do meu SENHOR!

Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,
Este será meu repouso, a minha casa preferida.
No sangue jorrado redimi meus delitos,
E purifiquei com água a sujeira espiritual!

Embaixo deste teto (Céu) que é morada de todos,

Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.

Mistagogia

Mistagogia  significa “ser introduzido no mistério”, ou seja, no plano salvífico de Deus de salvar o mundo em Cristo (cf. Ef 1,3-13), e is...